terça-feira, 16 de dezembro de 2014



Considerando as últimas temporadas de tempestades e furacões, posso dizer que estou na maresia agora. Consegui fechar as notas da faculdade e me encontro a caminho do quarto ano de Psicologia. Nem acredito que já se passou tanto tempo! Quanto ao meu trabalho, encerro minhas aulas na sexta-feira, com a certeza de que fiz um bom trabalho e que tenho auxiliado meus alunos a tornarem-se brilhantes. Depois estarei de férias de absolutamente tudo e sem absolutamente nada para fazer – o que está me apavorando.
Tinha como objetivo tornar-me alguém melhor, limpa, transparente. Estou alcançando-o, em partes. Pude me mostrar mais para meus pais, o que foi e está sendo altamente doloroso. Cheguei bêbada em casa por vários fins de semana – inclusive o último agora – e, em um desses, minha mãe encontrou meus remédios psiquiátricos e meus cigarros. Já que estava tudo fodido, decidi terminar o serviço e abri o jogo para eles e, inclusive, dei ênfase ao fato de que já tenho 20 anos e sei o que é bom ou mau e, se continuo fazendo, é por que eu quero, mesmo sendo uma burrice. Imaginem só o barraco que foi armado! Meu pai passou uns dias depressivo, sem comer e sem sequer olhar para a minha cara, e minha mãe me alfinetava constantemente relembrando que estou fazendo meu pai sofrer e que vou matá-lo de desgosto. E daí emendei o próximo round, onde a culpei por ME deixar doente.
Dizer a verdade, mesmo que doa, sim? Sim.
Estou, talvez, mais só depois de tanta confusão. Algumas pessoas foram embora, e outras eu mesmo descartei. Não tenho sido um ser humano digno de ser amado e respeitado, coisas que não tenho sido capaz de oferecer. Não sei se por conta da medicação ou apenas por estar em uma fase com baixa sanidade mental, mas por hora está particularmente muito difícil manter uma coerência de pensamentos e atitudes. O que tem resultado em muita merda feita.
Eu sei que não sou um ser humano ruim. Sou capaz de amar, cuidar, respeitar, mas minha cabeça tem estado tão transtornada que acabo com ações premeditadas e inconsequentes, como se não fosse possível definir o que eu quero realmente fazer.
Bom, ontem fui a mais uma consulta com o psiquiatra. Estava já com 5 medicamentos e ele apenas aumentou as dosagens. Perguntei: “E se não resolver ainda, o Sr. Pode aumentar a dose ou terei que trocar a medicação de novo?” Ao que ele respondeu: “Estão todos nas dosagens máximas. Vai melhorar sim, com o tempo vai melhorar”. Já deve ser a sexta ou sétima vez que preciso modificar os medicamentos, não estou aguento mais. É como se não tomasse nada. Ainda arranco pedaços da minha cabeça, tenho dificuldade para dormir e me sinto infeliz por longos períodos. Eu sei que boa parcela da responsabilidade de melhora deve partir de mim, mas puta que o pariu, se procurei esse velho lazarento para me dar remédios é justamente por conta de que não tenho as forças totais que preciso para sair dessa fossa. Desgraça!
Finalizando, em breve estarei vegetando 24hrs na cama e pensando asneiras suficientes para formar outro post. Até logo.

4 comentários:

Queen B disse...

Parabéns por mais um da faculdade completado, torço para que os próximos anos agora passem voando.
Tome cuidado querida, tanta dosagem de remédio você logo estará dopada o dia inteiro.. Nada em excesso é bom (frase de gente velha, mas infelizmente, real). Jogar limpo talvez seja a solução, talvez passado o choque e toda a amargura eles te ajudem. Três coisas nunca podem se esconder: o sol, a lua e a verdade. Ou seja, tudo colocado em pratos limpos é a melhor coisa.
Beijos, Queen.
http://perfeicaoanaemia.blogspot.com.br/

Marcy! disse...

A responsabilidade de ser filha é muito forte. Você vive sendo acusada de estar matando, estar ferindo, estar estragando... mas ninguém olha pras tuas feridas, isso é horrível.

Anne, ler teu comentário me deixou com um misto de felicidade e tristeza.
Felicidade por você lembrar de mim, tristeza por sentir que , nas últimas vezes em que tentei conversar contigo, de alguma forma, tu parecia querer... me afastar, algo do tipo. Pode ser coisa da minha cabeça também...
Mas saiba que eu te amo.

Shizue Yoshida disse...

Por que não muda o médico?

Talvez o tratamento que ele está fazendo não está sendo adequado para você. Impossível não existir um remédio que te ajude.

Em relação a seus pais, fique tranquila, nem se você fosse perfeita agradaria seus pais. Eles sempre reclamam de alguma coisa. E só nós erramos, eles, nunca.

Alie disse...

remedio sozinho nao faz nada se nao mexer nas raízes psicologicas do problema, vc deve saber mto bem isso.
jogar limpo doi, mas concordo que faz parte de uma tentativa de resolver as coisas, e eu acho isso muito positivo(e vc dizendo que os remedios nao estao fazendo nada, te deram forças pra sair da cama e poder fazer isso ;) )