sábado, 27 de fevereiro de 2016

É engraçado as voltas que a vida nos dá. Hoje o dia foi peculiarmente difícil e decidi termina-lo tomando algumas cervejas. Estou no último ano de Psicologia, finalmente. Já entrei em contato com coisas densas com as quais não me senti bem, mas nunca como hoje. Os estágios desse ano acabaram me deixando encarregada de quatro pacientes, que conhecerei semana que vem. Hoje fui ler os prontuários para não chegar perdida e, de repente, me vi diante de mim mesma aos 12, 13 anos.
Havia tempo que não pensava em mim. Os dias são corridos e não costuma sobrar tempo vago para pensar em como estou. Por vezes me sinto gorda, infeliz, o de praxe, mas as orientações sempre seguem as mesmas: o mundo pode estar desabando, você deve deixar isso lá fora e ser profissional.
Quando a cabeça começa a doer de fome é bem mais fácil comer qualquer coisa do que arrumar um problema maior.
Não há tempo para problemas maiores.
Aconteceu uma reunião do trabalho hoje e tomei uma bronca que sei que não é minha. Já estava irritada e falei tudo o que tinha vontade. Fiquei com raiva, mas nada de mais, passou. Deitei esperando dormir rápido e começaram a virem algumas falas da discussão do trabalho de hoje e, não sei, senti vontade de me cortar.
Estava deitada no escuro quase adormecendo e senti meus olhos arregalarem. Há quanto tempo não penso nisso? Nem tenho mais o kit de gilettes e paninho sujo de sangue.
Assim que pensei melhor, senti vontade de vir aqui. Sempre penso, mas hoje, em especial, tentei traçar uma linha paralela com a vontade de me cortar e o motivo desencadeador. Nada me pareceu claro, mas talvez, amanhã, quando as cervejas houverem desaparecido da corrente sanguínea, faça algum sentido.

Saudades imensas daqui. Não importa onde, nem com quem, o discurso nunca fluirá como num texto desconexo e aleatório. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Brain Damage

Geralmente os meses de novembro são ruins em minha vida. Talvez por antecederem o encerramento de ciclos e isso não ser necessariamente o meu forte. Em novembro, sempre estou atarefada, tentando fazer o melhor possível, implorando por férias ou por uma morte súbita que retire todas as responsabilidades das minhas costas.
Acabei de encerrar os últimos capítulos do meu TCC. Decidi falar sobre as significações do ato de comer – para o obeso, lógico, porque ainda não consigo pronunciar as palavras “anorexia” e “bulimia” tranquilamente. Eu tinha esperanças de encontrar respostas concretas, alguma definição, alguma pista, tinha esperanças de que fosse passar um avião com uma faixa escrito “VOCÊ SE COMPORTA ASSIM POR CAUSA DE TAL COISA”.
Não encontrei nada.
Desenvolver um trabalho sobre um tema tão intimo foi, na verdade, uma tortura. Fiquei meses tentando escrever e nada. Não conseguia ler sobre, todas as vezes que sentava para fazê-lo me dava um sono incontrolável, uma vontade surreal de fazer qualquer outra coisa que não aquilo. Perdi os prazos de entrega.
Talvez o dia em que eu compreender o que me fez ser assim, eu deixe de ser assim.  E não sei se quero deixar de ser assim. São dilemas de pré-adolescência e não sei se quero sair dessa fase e crescer. Lembro-me de falar aqui sobre uma dualidade de pensamentos e sentimentos: eu quero produzir coisas boas, ser lembrada por feitos legais; mas, ao mesmo tempo, eu ainda quero me desfazer, sumir sem deixar nenhum vestígio. Desaparecer.
Sempre que chega novembro me vejo em meio a esses devaneios. Quero seguir, mas estou pensando em ficar na cama sem comer até ser absorvida pelo colchão. Reconheço que devo ter uma força vital maior do que a destrutiva, porque apesar de, estou levando a vida a diante e me matando sutilmente com menos frequência. Mas o esforço para isso é tremendo! Sinto-me tão cansada às vezes, e penso que é de tanto me empenhar para não explodir com tudo.
Estive pensando em marcar terapia. Até liguei para ver o preço e os horários. “É muito caro”, “Não tenho tempo”. Sempre terão desculpas para não ficar bem. Não sei também se acredito que seja possível ficar bem, porém, gostaria de poder me compreender um pouco que fosse.
Sinto falta de definições concretas. Sou um pouco de tudo, o que talvez me configure como um “nada”. Gostaria de dar um nome à minha doença. Ou doenças. Percebem como é amplo? Quero me curar. Mas me curar de que? Metade da minha vida foi conturbada. Qual é a linha que separa o “eu saudável” do “eu doente”? Quem sou eu, afinal? Será que minha doença sem nome faz parte de mim, depois de todos esses anos? Odeio me sentir como um mosaico, que é um amontoado de cacos sem forma definida e sem absolutamente nenhum encaixe. Só estão ali, dispostos aleatoriamente formando qualquer coisa. É difícil pensar em uma solução para algo indefinido. 


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Obscured By Clouds



Arrumei um inibidor de apetite, mas já o abandonei. Tomei 6 comprimidos e, sim, realmente funciona, mas me dei conta que o meu problema não é sentir fome. Quando eu quero não comer absolutamente nada, posso ter a fome mais avassaladora do universo, eu não vou comer. Acontece que estou comendo mesmo sem fome, porque eu quero comer. Se não organizar minha cabeça e minhas metas, só se me amarrarem ou sedarem para que eu não coma!
Por outro lado, pensamento que tem aplacado meu desespero: eu sei que mais hora, menos hora, por bem ou por mal, eu vou retornar ao me peso de sobrevivência pacífica. Enquanto isso fico fingindo que está tudo bem. Por deus, não me sinto assim desde 2008, quando jurei com todas as minhas forças que nunca mais me permitiria chegar ao ponto de não querer sair de casa e ver pessoas por estar gorda.
Fora isso, tudo ok. O trabalho, os estágios e a faculdade estão me consumindo. Queria poder contar um pouco deles aqui, mas tenho medo de acabar por expor demais os acontecimentos. Mas, se tem algo que fui capaz de concluir nesse curto espaço de tempo foi: coitada das minhas terapeutas, e coitada das terapeutas de muitas de vocês daqui, porque somos cruéis, teimosas, metódicas e, modéstia a parte, inteligentes. Ouso dizer que também manipuladoras. E se já é difícil cuidar de alguém com um retardo leve e que, de certo modo, colabora e entrega os pontos na conversa, imagina então alguém como nós!
         Estive pensando quanto ao blog. O que farei com ele? Serei eternamente grata à inspiração de ter o iniciado. Fico me policiando para não retornar aos textos antigos e editar todos, ao mesmo tempo em que gosto de relê-los e notar como e quanto cresci. Gosto de dividir a minha vida em ciclos, ajuda-me a me organizar mentalmente. Comecei o blog em 2007, em 2011 encerrei o ensino médio, fechando, assim, um dos ciclos. Iniciei o outro ciclo em 2012, quando comecei a cursar Psicologia, e o encerrarei ao final de 2016, quando me formo. É um pouco assustador, porque estou a um tênue passo de ser “dona do meu nariz”. MAS COMO, se há momentos em que me sinto uma criança que precisa de total apoio dos cuidadores? Não pode ser!
É reviver o final da infância e inicio da adolescência novamente. Há um GRANDE e considerável período onde não estamos nem lá, nem cá. Nem criança, nem adolescente. Um mais ou menos de tudo. E, atualmente, estou ao passo de sair da adolescência e partir para a idade adulta. Nem lá, nem cá. Já não me cabem mais certas rebeldias adolescênticas, mas não me sinto dona-de-mim ainda. Mulher, propriamente. Não quero me comportar como uma mulher adulta, me vestir como tal. Quero poder usar all star e calça jeans para sempre! Não quero ter curvas, peitos, corpo de mulher. M-u-l-h-e-r. Não consigo ser mulher ainda!
E quando me formar será me dado juntamente um certificado imaginário onde constará: “Mulher: tira esse tênis e essa calça jeans e vai construir sua vida, sua família, sua profissão”. Não quero pensar muito nisso agora, mas é impossível.
Estive pensando e me fiz a seguinte proposta: em dezembro de 2016 encerrarei as atividades nesse blog. Serão quase 10 anos de textos e mais textos, relatos, da forma mais intima e autêntica possível, do meu amadurecimento, normal ou não, com doença ou não, com crises ou não. Isso é valioso demais, quem sabe, para quando eu tiver 30, 40 anos. Então, me comprometo de, em 2016, encerrar mais um ciclo de existência da seguinte forma: imprimindo e encadernando todo o meu material de blog (às vezes me bate certo pânico de “Meu deus, já pensou se o blogger falir/banir meu conteúdo/roubarem minha senha e eu perder meus textos?”). Quero guardar isso como alguém que, apesar de tudo, tem orgulho da própria história. E fechar como uma marca de sobrevivente.  

quarta-feira, 8 de abril de 2015




Lembro-me bem de, no auge do meu TA, por volta dos 13 anos, de ir a diversas farmácias pedir algum remédio para emagrecer. As atendentes me olhavam com cara de assustadas, como que querendo me dar uma bronca: “Você está chapada, menina??? Cadê sua mãe, pelo amor de deus???”. Sempre esperei ansiosamente pela maioridade, conseguir receitas e medicamentos diversos, mas quando a atingi estava em uma fase tão melhor que nem queria mais isso. Enfim, estou revirando a internet atrás de algum medicamento emagrecedor, seja ele redutor de apetite ou termogênico. Na verdade, eu só quero que a fada do Bioredux apareça e me dê um vale - 10 quilos.
É isso o que quero perder no momento. 10 quilos. É tão estranho não saber como o fazer. Já tentei arquitetar uma dieta, já me pesei compulsivamente, me medi, tudo. Acontece que estou paralisada diante da balança, do espelho, das calças apertadas e da sensação de que minha bunda está ocupando um quarto do planeta. Estou assustada e frustrada.
Abandonei a medicação do psiquiatra já faz mais de um mês. Estou perfeitamente estável, talvez até melhor sem toda aquela chapação. Mas, basicamente, foi a mesma coisa que nada, aquele viadinho devia estar me dando placebo. Abandonei, sem dó, tudo o que poderia ser responsável pela minha engorda. A academia, os remédios, e agora me resta o anticoncepcional que estou pensando muito em abandonar também. Só pode ser ele, pois continuo gorda.
Não suporto, simplesmente não suporto, não tenho estrutura psíquica para pesar nem um grama a mais do que 55kg. Não existe a menor possibilidade de conseguir viver nessa condição.



Ps. Aceito sugestões de remédios emagrecedores e o contato da fada do Bioredux.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Wrong

Ontem, cheguei da faculdade com uma fome devastadora e fui direto à cozinha procurar por algo. Certa e convicta de que me odiaria depois, peguei um pão gigante e fiz um sanduíche. Peguei mais alguns sonhos, doces e refrigerante e me sentei à mesa.
Sabem, desde sempre, sinto muita vergonha destes momentos, em que como, como se não houvesse amanhã – mas há! –, e fico tentando imaginar a cena, como uma terceira pessoa. Deu-me um estalo e resolvi, então, me filmar comendo para assistir depois e, quem sabe, ver o quão ridículo e porco era aquilo e que não deveria ser repetido.
Foram dez minutos. Comi uma quantia absurda em apenas dez minutos! Dando mordidas enormes, sem mastigar muito, misturando doce com salgado, tomando refrigerante porque estava difícil de engolir, mas havia uma necessidade de ingerir tudo aquilo a qualquer custo. Meus braços estavam bem mais magros do que imaginei.
Às vezes, acabo ficando sem referencial da minha imagem corporal. Em tempos assim, de tamanha instabilidade, acabo por não me reconhecer de forma nenhuma. Não faço a mínima ideia de como meu corpo está. E isso é agoniante!
Não consigo parar de pensar em planejar uma dieta, estabelecer metas e tudo mais que faça com que eu emagreça. Embora, ao mesmo tempo, penso no ato de comer como um ato autodestrutivo. Não sei explicar muito bem, mas ultimamente tenho tido um sentimento semelhante à raiva quando como. E eu como grandes quantidades, enquanto minha cabeça martela coisas do tipo: “Idiota, coma toda a comida do planeta! Você merece se sentir um lixo mesmo!”. Ao mesmo tempo em que quero não comer nunca mais – e definhar até a morte –, eu também quero comer como se isso fosse uma punição, como os antigos cortes.
Como que seguindo um roteiro predeterminado a caminho de algo catastrófico, minha vida parece traçar caminhos em busca de seu próprio fim. Eu pareço estar sendo obrigada a seguir um roteiro rumo a uma explosão imensa que destruirá tudo. Não importa se estou lutando contra o fluxo com todas as minhas forças, o vento sempre soprará para a mesma velha direção de sempre. Parece haver duas forças opostas travando um duelo dentro de mim e, às vezes, não sou capaz de reconhecer qual delas é a minha de verdade.
Este ano começo a desenvolver o TCC final do meu curso. Revirei tudo em busca de ideias geniais, mas nada parecia bom o bastante (Oh, really?!). Ainda tenho certa dificuldade e pânico de falar sobre transtornos alimentares e seus nomes, mesmo agora, que levo uma vida quase normal e não fico mais perambulando caindo de fome pelos cantos. Porém, sempre gostei muito de ler sobre tudo isso, e gostaria de poder aproveitar de alguma forma a minha história. Ainda não decidi totalmente, mas estou pensando em falar sobre obesidade e sobre os diversos significados para as pessoas quanto ao ato de comer. Não tenho esperanças de encontrar cura estudando, apenas quero pensar sobre as tantas razões que levaram (e levam) nós e outras tantas, com histórias por vezes tão distintas, a procurar uma saída semelhante. Eu sei que não é por bullying na infância. Eu sei que não é por abusos, abandono ou perdas. E muito menos pelas modelos magras das revistas e TV. Quero aliviar um pouco minha mente de sempre remoer o mesmo pensamento: “Não é possível! Você era o modelo de criança que daria certo no futuro. Sua infância foi ideal, seus pais foram ideais, uma vida digna de ser invejada. Por que diabos tudo acabou dando tão errado com você?”. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Breaking The Habit


Acabei de comer até chegar naquele ponto horrível em que não é possível nem se mover direito de tanto que comeu! E, como já é de praxe, estou me sentindo um ser humano admirável e pleno.
Não! Isso está uma merda!
Tudo ia bem. Inclusive, dias atrás estive divagando a respeito do quanto minha vida havia entrado nos eixos e tudo caminhava rumo ao sucesso. E que seria um tanto quanto tendencioso pensar que eu, mais hora ou menos hora, iria me auto sabotar e tirar um empecilho do inferno para me atormentar. Pois ai está. Agora tenho um tormento para lidar e não preciso mais ficar “sem ter o que fazer”.
Nessas férias consegui pegar e manter uma rotina de treino na academia. A sensação de expurgar os demônios do corpo é ótima e tudo estava nos conformes até que meu peso começou a subir. Sim, eu sei, meu corpo irá trocar a massa gorda (que é mais leve e ocupa mais espaço) pela massa magra (que é mais pesada, porém ocupa menos espaço). Juro que tentei enfiar isso na minha cabeça a todo custo – “não, seja paciente, o aumento de peso não é proporcional ao aumento de medidas, espere mais”. Porém, quando senti as calças começando a apertar, corri me pesar. E depois disso eu me pesei em mil balanças diferentes, e tirei minhas medidas mil vezes como garantia de que não estava virando um boi (apesar de pesar como um).
Eu sei que isso deveria ser encarado como um processo saudável do exercício, mas eu simplesmente não tenho condições psíquicas de viver com um peso desses. Por que quando vejo que estou com um peso X, minha mente já trabalhou para que, na primeira vitrine que me apareça pela frente, eu me enxergue de acordo com o impacto que ver tal peso na balança me causou – “Puta merda, estou virando um boi!” –, e não com a real imagem.
Eu sequer sei qual é a minha real imagem corporal. Sabe quando você olha pro seu rosto refletido, e quando vira as costas já não consegue lembrar detalhadamente o que viu?  É quase isso. Não que o que eu vejo seja bom, mas a “lembrança” que tenho do que eu vi, é muito, muito pior! O “sentimento” de estar gorda, é difícil de explicar. Mesmo que tudo o que reflete no mundo fosse tapado, e eu só pudesse me guiar pelo que sinto com as mãos e pelo que vejo de mim mesma, ainda existe um “sentimento” de ser gorda. Que se intensifica quando se come muito, muito, e é atenuado quando se está tonta de fraqueza no terceiro dia sem comer, ou quando surte o efeito de laxantes e dá aquela sensação mágica de limpeza interna absoluta.
Às vezes fico zapeando pela blogosfera entre os blogs atuais de outras de “nós”. Por vezes até penso: “Vou criar outra identidade, paralela, e me enfiar nesse grupo atual para ver se consigo emagrecer, como nos velhos tempos!”. Ah gente, não quero me estender no assunto por que já me dá uma raiva estrondosa. Não generalizando nem nada, até por que, com 12 anos, talvez as “veteranas” pensassem o mesmo de mim, mas a minha vontade é de reunir boa parte dessa galera, enfileirar e meter bala na cabeça.
Quando estava na pré-adolescência, deixando os brinquedos de lado, pensando em dá-los embora, mas relutante, por que esporadicamente ainda me dava vontade de brincar com eles. Entretanto, quando os pegava para brincar, simplesmente não rolava mais e eu os abandonava logo em seguida. Mesmo querendo e sentindo certa “saudade”, aquilo já não me pertencia mais. Ficou para trás.
Não quero regredir ao meu antigo nível de transtorno alimentar. É enlouquecedora a vontade de ter novamente todo aquele controle e planejamento com alimentação, exercícios, peso, medidas. Principalmente em dias como hoje, que estou me sentindo horrível. Mas, os tempos são outros. Se isso fosse um jogo, pode se dizer que eu “Upei”. A fase anterior passou, os desafios ficaram para trás e surgem agora novos desafios para novamente enfrentá-los, porém, agora com comportamentos diferentes e não com os velhos hábitos. Minha vida é outra que há 4 ou 5 anos atrás, e regredir para o nível de doença desta época acarretaria em uma avalanche de desgraças se isso voltasse a acontecer agora. Preciso estudar, trabalhar, fazer estágios, trabalhar mais um pouco. Mesmo que minha vontade seja tomar laxantes, começar um NF de 5 dias e me pesar rigorosamente toda hora, isto não é mais admissível frente à tudo o que, imprescindivelmente, tenho que ter forças – como as de quem come todos os dias – para fazer.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

February Stars

Estou com vários pontos reluzindo em minha mente sobre os quais gostaria de falar sobre, porém estou tão atordoada que não consigo me concentrar. Comi bastante ontem, acordei péssima do estômago hoje de manhã e passei quase o dia todo sem comer. Comi consideravelmente à noite e agora estou, no meio da madrugada, andando histérica pela casa, como se o capeta estivesse dentro de mim!
Não consigo encontrar palavras para expressar o sentimento. Entretanto, sei que estou completamente lúcida a ponto de reconhecer que, apesar de sentir ter engordado 20kg em menos de 24hrs, isso é impossível. Não é real. É escroto e desproporcional o que vejo. Resumindo: a minha vontade agora era encontrar um zíper atrás do pescoço que me permitisse abri-lo e sair deste corpo desconfortável.
Definitivamente, não sei mais ficar de férias e apodrecendo na cama como antes. Segunda-feira volto a dar aulas e mal posso esperar para ocupar meus dias com uma rotina cheia de afazeres. Estou determinada e confiante com minha vida e o rumo que tem tomado. Parece que finalmente tudo está se encaminhando. Às vezes me pego pensando: até que ponto a melhora do meu humor é graças à medicação? Se não tomasse os remédios ou se os suspendesse agora, como estaria reagindo? Será que é a medicação que me promove a sensação de que minha vida está tomando rumo, ou será que minha vida está ocasionalmente tomando rumo e é por isso que a medicação foi estabilizada e dita por estar na dosagem eficaz?
Para ser bem sincera, muita coisa mudou desde que procurei médico. Muita mesmo. E uma das mais significativas, com certeza, foi perceber – e aceitar! – que não existe pílula mágica que dê felicidade instantânea sendo que sua vida está completamente em ruínas e ao avesso e absolutamente nada é feito para acertar as coisas. Isso foi particularmente cruel de entender. Pensando em termos totalmente concretos: vejo-me com meia dúzia de pedras nas mãos e tendo o dever de transformá-las em areia para que passem em uma peneira.  As buchas da vida são as pedras grandes. Não adianta quebrá-las de qualquer jeito que os pedaços mal quebrados hora ou outra ficarão presos na peneira.
Enfim, foda-se as pedras e as peneiras da vida. Acho que estou ficando chapada de sono.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A Saucerful of Secrets

Amanhã (hoje) será a primeira segunda do ano. Mas isso pouco importa porque estou de férias. De qualquer forma, amanhã virá, definitivamente, o gostinho de 2015.
Finalmente! Porque puta que o pariu, que ano mais merda que foi 2014! Sofrimento demais a troco de nada. Se pudesse resumir este ano em uma palavra, esta seria: sujeira. Pensando no significado de “sujeira” não como algo concreto, mas abstrato. O sentimento de sujeira não é novo para mim, já o conheço de longa data, quando era capaz de aplacá-lo com dois ou três comprimidos de laxante seguidos de quase uma semana em total jejum. Tive oportunidade de contato com inúmeras sensações extasiantes destes tempos para cá, provocadas ou não por algum tipo de psicotrópico ou alucinógeno e, sim, nesta altura da minha vida, eu afirmo: nenhuma sensação no planeta supera a de sentir-se plenamente limpa, vazia, desintoxicada. Definhando-se. Nada.
Em 2014 eu fiz muita merda, fui um ser humano horroroso e indigno. Pensei em apertar o botão reset da vida, mas a coisa foi tão estrondosa que nem morrer eu podia, visto que tinha uma tonelada de material a ser escondido – desde situações até a cigarros e remédios.
Foi com muito custo – e lágrimas – que consegui trazer a tona todas essas coisas, o que já foi de grande alívio. Se eu morrer agora de infarto, estarei tranquila, pois não há mais nada de surpreendentemente desapontador para vir à tona e fazer alguém triste. Entretanto, não vou morrer agora, então o que me resta é pensar em 2015 como sendo o tal do clichê caderno em branco, que tenho 360 páginas novinhas para que eu possa rasgar, picotar, rabiscar e borrocar tudo novamente! É brincadeira. Não tenho grandes expectativas, mas estou a fim de me dar uma nova chance de ser uma pessoa transparente e limpa, o que inclui também as minhas características inatas e de personalidade que não são as mais puras, mas são minhas e não quero mais escondê-las sem necessidade.
Bom, depois de comer e beber tanta porcaria nas duas últimas semanas, nada mais adequado que o antigo ritual: laxantes e jejum.
Preciso fazer isso por mim.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014



Considerando as últimas temporadas de tempestades e furacões, posso dizer que estou na maresia agora. Consegui fechar as notas da faculdade e me encontro a caminho do quarto ano de Psicologia. Nem acredito que já se passou tanto tempo! Quanto ao meu trabalho, encerro minhas aulas na sexta-feira, com a certeza de que fiz um bom trabalho e que tenho auxiliado meus alunos a tornarem-se brilhantes. Depois estarei de férias de absolutamente tudo e sem absolutamente nada para fazer – o que está me apavorando.
Tinha como objetivo tornar-me alguém melhor, limpa, transparente. Estou alcançando-o, em partes. Pude me mostrar mais para meus pais, o que foi e está sendo altamente doloroso. Cheguei bêbada em casa por vários fins de semana – inclusive o último agora – e, em um desses, minha mãe encontrou meus remédios psiquiátricos e meus cigarros. Já que estava tudo fodido, decidi terminar o serviço e abri o jogo para eles e, inclusive, dei ênfase ao fato de que já tenho 20 anos e sei o que é bom ou mau e, se continuo fazendo, é por que eu quero, mesmo sendo uma burrice. Imaginem só o barraco que foi armado! Meu pai passou uns dias depressivo, sem comer e sem sequer olhar para a minha cara, e minha mãe me alfinetava constantemente relembrando que estou fazendo meu pai sofrer e que vou matá-lo de desgosto. E daí emendei o próximo round, onde a culpei por ME deixar doente.
Dizer a verdade, mesmo que doa, sim? Sim.
Estou, talvez, mais só depois de tanta confusão. Algumas pessoas foram embora, e outras eu mesmo descartei. Não tenho sido um ser humano digno de ser amado e respeitado, coisas que não tenho sido capaz de oferecer. Não sei se por conta da medicação ou apenas por estar em uma fase com baixa sanidade mental, mas por hora está particularmente muito difícil manter uma coerência de pensamentos e atitudes. O que tem resultado em muita merda feita.
Eu sei que não sou um ser humano ruim. Sou capaz de amar, cuidar, respeitar, mas minha cabeça tem estado tão transtornada que acabo com ações premeditadas e inconsequentes, como se não fosse possível definir o que eu quero realmente fazer.
Bom, ontem fui a mais uma consulta com o psiquiatra. Estava já com 5 medicamentos e ele apenas aumentou as dosagens. Perguntei: “E se não resolver ainda, o Sr. Pode aumentar a dose ou terei que trocar a medicação de novo?” Ao que ele respondeu: “Estão todos nas dosagens máximas. Vai melhorar sim, com o tempo vai melhorar”. Já deve ser a sexta ou sétima vez que preciso modificar os medicamentos, não estou aguento mais. É como se não tomasse nada. Ainda arranco pedaços da minha cabeça, tenho dificuldade para dormir e me sinto infeliz por longos períodos. Eu sei que boa parcela da responsabilidade de melhora deve partir de mim, mas puta que o pariu, se procurei esse velho lazarento para me dar remédios é justamente por conta de que não tenho as forças totais que preciso para sair dessa fossa. Desgraça!
Finalizando, em breve estarei vegetando 24hrs na cama e pensando asneiras suficientes para formar outro post. Até logo.