terça-feira, 13 de maio de 2014

Não consigo dormir. Perdas demais para um intervalo tão curto de dias. Minha avó morreu hoje de manhã, e o clima por aqui está péssimo.
Pra ser sincera, não sinto muito por ela, mas quando vi o estado em que meu avô estava me bateu uma angústia tremenda.
Era o empurrão que faltava para eu concluir meu surto. Me esforcei para fazer cara de 'sinto muito' com a notícia da morte dela, e não rolou, porém passei a tarde meio instável e enlouquecida. O mesmo de sempre: precisava sair e não conseguia por estar me sentindo deformada, potencializando um pouco meus instintos primitivos de morte e destruição. Passei a tarde me vendo morrer de mil maneiras, até me sufocando com um saco plástico. Fiquei pensando que se, por acaso, acidentalmente, eu fosse atropelada, ou me machucasse de alguma outra forma séria, eu não teria a mínima manifestação de algum instinto divino de sobrevivência que me convencesse a tentar me salvar.
Encontrei meia cartela de uns comprimidos, relaxante muscular, tinham 6 ainda. Mandei todos. Fiquei pensando que isso pudesse fazer meu coração parar, e eu nem tinha planejado nada, nem organizado minhas coisas. Não consegui me importar, eu só queria fugir daqui, de mim.
Sabe quando se coloca uma roupa pequena, ou dos avessos, ou com uma etiqueta interna que fica incomodando? Me sinto assim dentro do meu próprio corpo.

4 comentários:

Alie disse...

Conheço esse incomodo. Descubra o que te faz feliz. (E rearranje o equilibrio quimico no cerebro com os remedios psiquiatricos, se acreditar nisso. Pode ajudar, mas o principal é descobrir o que te faz feliz.)
Não deixe esse mundo cedo demais. Acredito que todo mundo tem potencial para aproveita-lo.

The good girl disse...

Oh, essa sou eu de todos os dias.
As vezes fico me mexendo ,tentando achar uma forma de não sentir meu corpo. Pra mim, você pode comparar com sangue sugas bem grandes ,ou cordas apertando minha 'pele'.
Me identifiquei demais.
Quando minha avó morreu, e minha prima me ligou ,desesperada ,chorando.
Eu, a desalmada sem coração, achei o escândalo dela engraçado, e me segurei pra não rir.
Eu só vira minha avó dormindo na cama, umas 3 vezes por ano. Nenhuma de nós era significante para a outra.
Depois pensei que em minha morte, talvez meu gato chorasse . Alguém também soltaria risinhos.
E o meu tio ,rei das piadas desnecessária, diria como a defunta estava gorda demais para o caixão.
Eu nem posso morrer. Por que não quero que as pessoas me vejam como a defunta gorda demais para o caixão.
Não sei se você é do tipo que precisa se medicar ,por que pesa 40 quilos,todos vem como magra demais e se vê obesa.
Mas se não for esse o caso. Bem, procure zeram a cabeça.
Sim, zera. Desligue da realidade mesmo.
Eu assisto filmes de terror,ou outras coisas tão tensas quanto, como limpar a cozinha escutando livros e fazer doces para engordar todo mundo da casa menos eu.
Tente olhar as coisas de uma forma mais matemática,de real ,não real, possível, impossível, levando em consideração um todo,e não apenas o 'eu me sinto péssima,quero morrer'.
Eu tomei uma caixa de valeriana com relaxante muscular e leite de magnésia uma vez.
Bem, não deu em nada,além de mais uma tentativa de internação partida de meus familiares e mais outras baixarias.
O ruim dos remédios psicoativos da felicidade é que eles te transformam em um zumbi que nem sabe onde está direito e que, frequentemente, apaga em um sono repentino,talvez em lugares onde desmaiar de sono seja constrangedor.
Experiencia própria.
:*

Happy Capri disse...

Olá Anne,
também já passei por uma fase parecida, durou muitos anos. Tentei o suicido e passei mais uns anos tipo zombie. A minha avó que tanto amava morreu nos meus braços, mas eu nem uma lágrima deitei, de tanta medicação não senti nada. Só quando deixei a medicação é que apareceu todo o sofrimento oprimido pelos medicamentos. Há ano e meio perdi um grande amigo que se suicidou e foi uma dor tão grande que decidi mudar.
Para mim a solução é não pensar muito na vida, nem no passado nem no futuro, tentar viver o momento e fazer o melhor que consigo. É complicado quando se tem pensamentos destrutivos, mas agarro-me ao facto de ter uns pais que me apoiam e um namorado que me adora. Agarra-te às pessoas que te amam e tenta mudar para elas.
Ergue a cabeça, força um sorriso e tenta ver a vida com olhos mais optimistas.
***

menina disse...

Me vi em cada linha do que vc escreveu.. E mesmo você não sentindo, eu sinto muito pela sua avó. Acho uma grande ironia do destino levar embora alguns que queriam tanto ficar e deixar aqui apodrecendo os que querem pôr um fim a tudo.
E sua comparação foi sem palavras...
Eu também ando péssima e por isso to sumida de todos os blogs, mas vim aqui te dar um pouquinho da força e coragem que me falta.
Aguente firme. De qualquer maneira, mas aguente. Você aguenta daí e eu daqui.

Se cuida. Sempre.