sábado, 27 de fevereiro de 2016

É engraçado as voltas que a vida nos dá. Hoje o dia foi peculiarmente difícil e decidi termina-lo tomando algumas cervejas. Estou no último ano de Psicologia, finalmente. Já entrei em contato com coisas densas com as quais não me senti bem, mas nunca como hoje. Os estágios desse ano acabaram me deixando encarregada de quatro pacientes, que conhecerei semana que vem. Hoje fui ler os prontuários para não chegar perdida e, de repente, me vi diante de mim mesma aos 12, 13 anos.
Havia tempo que não pensava em mim. Os dias são corridos e não costuma sobrar tempo vago para pensar em como estou. Por vezes me sinto gorda, infeliz, o de praxe, mas as orientações sempre seguem as mesmas: o mundo pode estar desabando, você deve deixar isso lá fora e ser profissional.
Quando a cabeça começa a doer de fome é bem mais fácil comer qualquer coisa do que arrumar um problema maior.
Não há tempo para problemas maiores.
Aconteceu uma reunião do trabalho hoje e tomei uma bronca que sei que não é minha. Já estava irritada e falei tudo o que tinha vontade. Fiquei com raiva, mas nada de mais, passou. Deitei esperando dormir rápido e começaram a virem algumas falas da discussão do trabalho de hoje e, não sei, senti vontade de me cortar.
Estava deitada no escuro quase adormecendo e senti meus olhos arregalarem. Há quanto tempo não penso nisso? Nem tenho mais o kit de gilettes e paninho sujo de sangue.
Assim que pensei melhor, senti vontade de vir aqui. Sempre penso, mas hoje, em especial, tentei traçar uma linha paralela com a vontade de me cortar e o motivo desencadeador. Nada me pareceu claro, mas talvez, amanhã, quando as cervejas houverem desaparecido da corrente sanguínea, faça algum sentido.

Saudades imensas daqui. Não importa onde, nem com quem, o discurso nunca fluirá como num texto desconexo e aleatório. 

7 comentários:

Drella disse...

Trabalhar com psicologia é pesado, acho até mais do que psiquiatria, dependendo do tipo de psiquiatra (prescrever e não se envolver no mimimi é fácil).
É um humano terapeuta, um humano com defeitos e feridas também. E a coisa fica confusa porque o ponto de comparação, a "normalidade", teoricamente é você e o que você conhece, aí chega uma pessoa enfrentando problemas semelhantes aos teus. Se suas cicatrizes não estiverem muito bem fechadas, vai doer. Vai remexer sentimentos, pode reavivar coisas. Até por isso, pra lidar com esses casos que desestabilizam seu emocional, acho essencial todos terapeutas também fazerem tratamento com alguém mais experiente, tipo naquele seriado da HBO "In Treatment" haha...
Depois me conta se você esclareceu a vontade de se cortar.

Adoro seus textos, e concordo com você que o discurso flui muito melhor em texto do que com pessoas e palavras.

Linnah; disse...

Saudade.

Anônimo disse...

Depois escreva sobre seus pacientes e o seu trabalho,quero muito ler.

Anônimo disse...

É realmente engraçado como nossa vida segue em frente, apesar das dificuldades. Sempre tive demasiados problemas na infância e adolescência, me cortava, tinha paranoias com peso e alimentação, possuía dificuldade em fazer amigos fora do mundo virtual e sempre me achei muito estranha. Atualmente estou no último período de Direito e com milhares de coisas para me ocupar, as vezes não dá nem tempo de deitar e pensar em tudo que já me ocorreu. Entretanto, de vez em quanto olho para meus pulsos e as cicatrizes não somem, estranho pensar como uma besteira de minutos como refletir em toda nossa vida, afinal não posso evitar como fico constrangida e triste quando colegas me perguntam qual o motivo de tais cicatrizes... Mas bola pra frente, agora é uma nova etapa e, enfim, desejo-lhe sorte e sucesso na vida profissional. Já falamos há alguns anos atrás, mas perdemos o contato, não sei se lembra de mim ainda. Abraços.

Att,
Bárbara B.

Alice disse...

<3

Está melhor, né? :)

Mariana disse...

Espero que você volte e nos dê notícias. Sinto falta de tuas postagens.

(●•Lia•●) disse...

Ola!

Como você está atualmente!

Quando puder nos dar notícias nos fale, retorne aqui.

Abraços.

Lia*