domingo, 4 de junho de 2017

É, eu esperava um retorno breve aqui, mas não tão breve e não pela mesma razão. Depois do último post acabou por ficar tudo bem de novo, até que foi por água a baixo mais uma vez.
Quem me conhece sabe o tanto de coisas que já precisei esconder, desde os cortes, a comida que eu jogava fora para que meus pais pensassem que eu havia me alimentado, seja tudo. Esconder coisas sempre foi algo meu, como se fosse uma forma de prazer. E não digo apenas de coisas minhas: sempre fui boa também para esconder os segredos que outros me confiavam. Mas, com o passar dos anos, ter coisas a esconder começou a me perturbar. Me perturbar MUITO mesmo. E desde então comecei a evitar mentiras desnecessárias. Parei de ser uma filha da puta, contei aos meus pais que fumo e que, quando posso, bebo até a inconsciência, e tudo isso foi me trazendo uma paz de espirito inexplicável. Se existisse um botão que apagasse tudo o que fui no passado, eu o usaria. Eu já teria usado ele há muito tempo.
Ser uma boa filha, namorada, pessoa ou o que quer que seja tornou-se um objetivo primordial em minha vida que cumpri com afinco nos últimos tempos. Eu mentia para ser essa pessoa boa, mas, conforme envelhecemos, vamos tomando consciência de que não tem como esconder a nossa essência. Uma hora ela virá à tona, uma hora o que realmente somos torna-se importante demais para ser reprimido. Torna-se doloroso demais reprimir nossa personalidade. E, desde que me dei conta disso, eu prezei por não ter mais nada, absolutamente nada, a esconder de ninguém. E deu certo. Sei que hoje posso ser transparente e do quanto ser assim me tornou um ser humano melhor.
Mas, enfim, sempre tudo acaba dando errado para mim.
E, sabem, eu consegui encontrar alguém que tolerasse o embaraço que eu sou por natureza, alguém tão embaraçado quanto eu, alguém que valesse a pena ter tudo o que eu tinha de melhor a oferecer, mesmo tendo mil defeitos. Mas deu errado. Deu muito errado e acho que dessa vez não tem solução, mesmo que eu deseje com todas as minhas forças, parece não haver saída.
Comprei uma vodka e a única certeza que tenho para essa noite é a de que vou tomar até a última gota e talvez ainda complemente com alprazolam, só para garantir que eu vá dormir o máximo que conseguir.
Se eu reler os anos anteriores do blog com certeza encontrarei momentos em que desejei ficar dias e dias sem nenhum contato com meus pais, mas cada vez mais percebo que eles são a coisa que mais devo valorizar no mundo. Mesmo quando eu ou meus irmãos somos errados e falhos, mesmo quando fazemos coisas que eles detestam, eles não vão embora. A solidão do mundo é tão, tão devastadora. Parem e pensem: quem vocês têm de verdade? Mas de verdade mesmo? Dá até vontade de morrer só de pensar nisso. Vivemos basicamente de relações egoístas ou de conveniência e, vez em quando, nos iludimos com algo contrário, mas só com o tempo e uma análise minuciosa percebemos se é ou não é de fato. Eu, por exemplo, jurava ter uma e fiz de tudo para que fosse perfeito.
Não sei mais me definir. Nos últimos meses acho que pensei diversas vezes estar curada, de tudo. Estar curada dos transtornos alimentares, da depressão, e de todas as outras aflições que nunca consegui nomear, mesmo agora depois de formada em algo que trata basicamente de saúde mental. Mas, o que mais ouvi falar durante as aulas foi do quanto é difícil e abstrato diagnosticar alguém, tanto que desisti de dar um nome para tudo o que passei e senti. E tudo o que sinto.
Não sei. Não me esqueço de uma vez em uma sessão com minha terapeuta que ela me disse assim: “Você já percebeu que você fala muitos “sei lás” ou “não sei””? E talvez não seja tão importante assim saber de tudo. O que serve para um com certeza não servirá para outro. Talvez só precisemos curtir o sofrimento que nos é dado naquele momento e tentar tirar o melhor que podemos do que ele nos oferece. Aprendizado é a palavra. Sofrimento sempre nos leva a um passo a mais quanto ao autoconhecimento. Nunca saberemos de fato o tanto de sofrimento que somos capazes de suportar, nunca mesmo. Seja o sofrimento por comer um pedaço de maça depois de quase uma semana sem comer nada ou pelo sofrimento de perder alguém que desejamos para a vida. Para quem vê de fora pode parecer bobagem, mas quem sabe do que estou falando deve perceber que o “sofrer”, em si, é algo íntimo e particular, mas, ao mesmo tempo, parece vir sempre do mesmo lugar. 

3 comentários:

Lady Serena disse...

que bom que vc ama seus pais, eu tenho mágoa da minha mãe

Linnah; disse...

Bitch,

Que saudade. Eu te via nas redes sociais e sempre ficava feliz de te ver tao bem e tranquila e aparentemente em paz.
Eu sinto muito o que aconteceu em seu ultimo relacionamento... Espero que vc se sinta melhor o quanto antes.
Você merece ser FELIZ. Não esquece disso.

Qualquer coisa me liga, manda mensagem no facebook, whatsapp, qualquer coisa :)

obs: eu passo metade do tempo na terapia falando "sei lá" kkkkkk

Juninhomm disse...

Uma farsa .. conta o q vc fez com teu namorado ...